segunda-feira, 27 de maio de 2013

FILME – AMOR PROFUNDO


A produção americana e britânica, com duração de 1 hora e 38 minutos, é ambientada em Londres, na década de 1950, e explora as escolhas amorosas das pessoas.

Hester Collyer (Rachel Weisz) é a esposa de um juiz muito importante e influente, Sir William Collyer (Simon Russell Beale). Seu casamento tem afeto, mas é morno. Por conta disso, Hester envolve-se com um piloto aéreo (Tom Hiddleston) perturbado por suas experiências durante a guerra, em uma relação mais excitante.

Sir Willian, bem mais velho que a esposa, é um homem culto, respeitoso, inteligente e um perfeito “gentleman”. Contudo, seu relacionamento conjugal não tem contato sexual, tanto que não dormem juntos, o que naturalmente causa muita insatisfação à Hester.

Previsivelmente, Hester conhece e se apaixona por outro homem. Um ex-piloto da II Guerra e herói nacional, Freddie Page, mais jovem e cheio de vida.

Hester se separa do marido e vai morar com Freddie numa precária pensão e logo percebe que Freddie é dado à bebida, inculto, não trabalha e é pouco afetuoso, apesar da relação fulgurante.

Num determinado final de semana, Freddie viaja para outra cidade com amigos para jogar golfe e se esquece do aniversário de Hester.

Extremamente triste e decepcionada por conta disso, Hester tenta suicídio, mas é socorrida pela dona da pensão. Apesar de tentar esconder o ocorrido, ao chegar de viagem, Freddie descobre a carta que Hester iria deixar como despedida. A partir daí o relacionamento deteriora, pois, Freddie se decepciona e não quer se sentir responsável pelo ato extremo.

Sir Willam, o ex-marido, ainda demonstrando amor por Hester, a procura preocupado em razão do suicídio mal sucedido e ainda leva um livro de sonetos de presente de aniversário. A cena mostra um diálogo delicado, afetuoso, respeitoso e inteligente, além de um cativante cavalheirismo quando Willam sugere a Hester entrar no carro para conversar (com a porta aberta), enquanto ele fica em pé na calçada, apenas para que ela ficasse protegida do frio.

Ao encerrar o diálogo, Hester sai do carro e de forma carinhosa beija Willam na boca, que, desconsertado, entra no carro e vai embora.

Quando Hester chega ao apartamento, Freddie a está esperando para anunciar o fim da relação e para contar a novidade do novo emprego de arrumou como piloto de teste no Rio de Janeiro.

Freddie se despede e vai embora na mesma hora, sem atender o pedido de Hester para ficar pelo menos naquela noite.

O filme termina deixando a clara conclusão que Hester teve dois homens de extremos e foi infeliz. O marido, Sir Willam, gentil, educado, rico e culto. Freddie um excelente amante e só.

O roteiro pode parecer óbvio pela nossa narrativa, mas o diálogo dos personagens, a interpretação dos artistas e as sutilezas de cada cena, torna o filme diferenciado e passa para o público muitas mensagens.

Com certeza conhecemos muitas estórias como de Hester.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

DOCUMENTÁRIO – O DIA QUE DUROU 21 ANOS

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Este documentário mostra a influência direta e decisiva do Governo dos Estados Unidos no golpe de 1964, sob uma ótica jamais vista.

Em minha opinião, é o melhor documentário sobre o tema já realizado.

Com uma boa estética e com documentos, depoimentos e conversas registradas, o documentário mostra credibilidade. Uma dessas gravações traz uma conversa, registrada em 1962, entre o presidente John F. Kennedy e seu embaixador no Brasil, Lincoln Gordon, na qual manifestam a preocupação com o que julgam ser uma inclinação de Jango à esquerda. Falam ali, no auge da Guerra Fria, em apoiar militares brasileiros insatisfeitos com a "entrega do país aos comunistas".

Os EUA tinham grande preocupação com a crescente influencia da esquerda no governo de João Goulart. Temiam que Jango perdesse o controle e com isto, o Brasil se transformasse “numa Cuba”.

O então Embaixador dos EUA no Brasil Mr. Gordon conseguiu convencer a Casa Branca do risco iminente da esquerda assumir o poder.

Nesse contexto, foi definido um golpe militar. Para tanto, foi articulada a Operação Brother Sam, ou seja, uma força naval americana deslocada para Santos (SP) e colocada em prontidão para agir (inclusive com incursão terrestre), caso houvesse resistência ao golpe de 1964. Como não houve qualquer resistência (Jango se dirigiu de avião para o Rio Grande do Sul, juntou-se a Brizola e foram para o exílio para o Uruguai), a força militar dos Estados Unidos se retiraram e voltaram para suas bases no Caribe.

Havia um plano de contingenciamento articulado pela CIA e pela Casa Branca para o pós-golpe, onde seriam realizadas eleições democráticas em seguida, mas com candidatos ao gosto do “patrocinador.”

Contudo, os militares tomaram o poder por um motivo (evitar que o Brasil fosse um país comunista), mas ficaram por 21 anos por outro motivo (pelas vantagens e pelas mordomias do poder).

Conforme o tempo passava, a repressão aumentava e muitos abusos foram cometidos. Os Atos Institucionais que restringiam a liberdade do cidadão, a censura, prisões investigativas, dentre outros, fez com que esse período fosse conhecido como “Anos de Chumbo”.

Entre os anos de 1964 e 1985, o Regime Militar teve os seguintes Presidentes: Castello Branco (1964 – 1967); Costa e Silva (1967 - 1969); Junta Militar (1969 com duração de apenas dois meses); Médici (1969-1974); Geisel (1974 - 1979); e Figueiredo (1979 - 1985).

Somente em 1989 é que tivemos eleições diretas.

 Os 21 anos de ditadura interromperam o processo democrático e, mesmo com aumentos consideráveis em alguns anos do PIB, deixou mais pontos negativos do que positivos, como a centralização, o inchaço das grandes cidades, o sucateamento da malha ferroviária, o emburrecimento do ensino, o endividamento externo e a estatização excessiva.

Tenho a impressão que esses problemas da época do Regime Militar ainda permanecem, apesar da democracia.

Tenho dito que o único caminho para um Brasil melhor é o investimento pesado na educação, assim como a Coreia do Sul fez, durante 20 anos. O resultado foi que esse pequeno país asiático se transformou hoje uma potencia econômica.

Sem educação de verdade para o povo, não haverá solução para os nossos problemas. Não haverá desenvolvimento suficiente para transformar o Brasil num país de ponta. Continuaremos um grande país de 3o Mundo.

O documentário não só é revelador, mas também nos faz refletir sobre o nosso futuro.

Quem tiver oportunidade de ver o documentário no cinema, em cartaz no Reserva Cultural em São Paulo, será um privilégio.

Há também em DVD e nas locadoras.

Vale a pena assistir para conhecer um mais da história do nosso país.

terça-feira, 19 de março de 2013

FILME – AS SESSÕES


Longe de ser apelativo, o filme, baseado em fatos reais, e ambientado entre as décadas de 80/90, conta a história de Mark O’Brien, poeta e escritor, que contraiu poliomielite ainda quando criança, perdendo todos os movimentos do corpo, com exceção da cabeça.

Católico fervoroso, frequentava a igreja quase todos os dias. Além de rezar, conversava com o pároco, Padre Brendam, sobre tudo, principalmente sobre seu drama de se sentir incompleto por nunca de tido relação sexual.

O que me chamou a atenção no filme é que, mesmo com toda sua limitação, três mulheres se apaixonaram por Mark, pela sua inteligência, bom humor e por sua peculiar elegância. Cada uma delas de forma diferente, com amores diferentes.

A primeira, Amanda, uma moça morena e muito bonita que começou a  trabalhar como cuidadora de Mark. Rapidamente ele se apaixona pela cuidadora. Ele sempre bem humorado e ela receptiva, viviam uma rotina muito divertida. Mas num dado momento Mark resolve se declarar, mas a perplexidade dela foi tanta que pediu demissão e foi embora. Depois de alguns anos, a moça volta para se despedir de Mark, em razão de uma viagem para a Alemanha para estudar a língua local e confessa que também o amava. Disse que ninguém fazia ela rir; somente ele.

A segunda foi justamente a terapeuta sexual Cheryl (em atuação magistral de Helen Hunt em sua volta ao cinema), uma especialista em exercícios de consciência corporal, que o inicia no sexo com seis sessões previstas.

No entanto, na quarta sessão eles resolvem antecipar o encerramento do tratamento, pois, Cheryl, casada, se apaixona por Mark e os dois se declaram. A terapeuta também se apaixonou por Mark pelo seu romantismo (ele fez um poema para ela) e pela sua inteligência cativante.

Susan, voluntária de um Hospital, conheceu Mark depois de um acidente com o aparelho apelidado de pulmão aço, em que ficava a maior parte do tempo. Mark quase morreu e teve de ir ao hospital onde Susan trabalhava.

Os poucos dias de sua internação foram suficientes para Susan se encantar. Foram namorados por mais de 05 anos, até a morte de Mark aos 49 anos de idade.

Em seu velório, Amanda, Cheryl e obviamente Susan  foram à missa de corpo presente lhe prestar a última homenagem.

De fato, a história de Mark mostra que a beleza interior sempre prevalece sobre a exterior. A “elegância” de ser inteligente, gentil, bem humorado e romântico, cativa e atrai qualquer ser humano.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

CRÔNICA – REFENS DO TEMPO

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Dia destes tive um sonho perturbador.

Nesse sonho, que parecia real, eu estava passando por um lugarejo muito antigo e tranquilo. Era fim de tarde, quando resolvi entrar na única igreja daquele local para conhecer seu interior e também para rezar um pouco.

Quando adentrei na referida igreja me deparei com todas as luzes apagadas, mas pude ver que havia um homem franzinho que instantaneamente ficou me olhando fixamente. Me adiantei a qualquer ação daquele senhor e rapidamente indaguei se a igreja estava fechando.

Naquele “breu”, o homem veio ao meu encontro e se apresentou como o sacristão da paróquia e prontamente começou a explicar aquela situação.

Em tom de muita tristeza ele me narrou que o “sistema”, que controlava o tempo das pessoas (que seria um regime ditatorial), colocou o padre na clausura e a igreja foi proibida de acender as luzes para evitar que as pessoas entrassem.

O sacerdote, no sermão de suas missas, cada vez mais cheias, criticava e contestava o controle do tempo pelo “sistema”. Assim, em represália, os censores tomaram essas providencias para silenciar o padre.

Neste sonho, nosso tempo era controlado e não tínhamos a liberdade de fazer dele o que fosse do nosso  desejo. Ninguém podia ficar parado, relaxando, por exemplo, pois, o tempo sempre devia estar preenchido com algo produtivo e logo compreendi que o padre do sonho estava certo.

Senti uma angústia e um certo desespero quando acordei do sonho levemente ofegante.

Na meio da madrugada, fiquei pensando sobre o seu significado ou sobre a correlação com a realidade.

De fato, somos vítimas da opressão do tempo na vida real, assim como ocorre nos regimes de ditadura.

A despeito de não existir um “sistema” ou um “regime”, a  modernidade nos impõe tanta pressão e tantas obrigações que praticamente não temos tempo para nada.

Não temos tempo para cuidar da gente; não conseguimos praticar pequenas “vadiagens”; não mais paramos para sentir o frescor da alvorada; não contemplamos nosso colorido crepúsculo até chegar a “boca da noite”; não mais olhamos as estrelas para procurar as “três Marias” ou o “Cruzeiro do Sul”; convivemos muito pouco com nossos familiares; não conseguimos bater papo com nossos amigos, ainda que por 05 minutos; não conversamos na calçada com nossos vizinhos; não conseguimos ficar sem fazer nada...

Se fizermos uma contabilidade do nosso tempo diário, poderemos constatar que raramente ou quase nunca nos permitimos desfrutar de pequenos prazeres.

O dia tem 24 horas e ainda é pouco. Fazendo-se um rápido exercício, tendo por base os afazeres diários do cidadão comum, quase sempre vamos ter um resultado negativo, isto é, falta tempo.

Pela manhã, levamos cerca de 15 a 20 minutos para tomar café da manhã. Depois, considere o tempo de deslocamento até o trabalho. Em seguida calcule o tempo que você fica no trabalho. Não se esqueça de adicionar o tempo do almoço, do retorno para casa, da aula de inglês, da academia. Ainda temos o banho, o jantar, a tarefa dos filhos, a conversa com o cônjuge e a atenção aos “filhotes”, a novela, o Big Brother ou o jogo de futebol, uma olhada nos e-mails, no facebook, uma lida em algumas páginas do livro de cabeceira. Se o ânimo permitir, tem a intimidade do casal ou dos companheiros.

Como se pode ver, dificilmente sobra tempo. Ao contrário, falta tempo, e cada vez mais.

Para que nosso dia não se transforme numa tragédia, temos que torcer para ter sorte de não ocorrer qualquer fato imprevisível como: o conserto do carro ou a necessidade de alguma a manutenção na casa, de resolver algum problema com seu gerente bancário, ir ao médico, ao dentista, reunião de pais na escola, aniversários ou outros eventos sociais. Tudo sem contar eventuais viagens de negócios, visita a alguém doente, velório e etc.

A frase que mais ouço quando encontro alguém que há tempos não vejo é a seguinte: “tô numa correria...”.

Ao invés de nos preocupar em reservar um tempo para a gente, preferimos bisbilhotar o tempo dos outros nas redes sociais.

Para quê tudo isso? Precisamos viver nessa loucura? Vale a pena o resultado final? Não estamos pagando um preço caro demais?

O tempo sempre foi o mesmo, no entanto, temos a nítida impressão que os dias, as semanas, os meses e o ano, em fim, tudo está passando mais rápido.

Essa sensação pode ser debitada pela facilidade e pela rapidez do acesso às informações e à comunicação. Assumimos cada vez mais obrigações e responsabilidades, abrindo mão de pequenos prazeres  e de hábitos saudáveis.

É óbvio que a modernidade e o progresso trouxeram mais conforto, facilidades, mais expectativa de vida. Mas será que é uma boa idéia ficarmos tão bitolados e submetidos à pressão de um mundo excessivamente consumista?

É claro que não.

Precisamos ter a consciência que “o tempo não para”, de modo que, ao chegar na velhice, olhar para trás e se arrepender daquilo não se fez, é o pior dos arrependimentos.

Não nos demos conta ainda, mas, na verdade, somos reféns do tempo moderno e o grande desafio é nos libertar, para que possamos ter o mínimo de “qualidade de vida”. Precisamos saber viver a vida e não simplesmente sobreviver.


Precisamos ter tempo de pensar, de refletir, de contemplar, para não ficamos alienados e escravizados pelo trabalho, apenas para acumular bens e poder.
 

domingo, 20 de janeiro de 2013

FILME - INFÂNCIA CLANDESTINA

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O bem produzido filme Argentino é ambientado em Bueno Aires no ano de 1979, época da repressão e da ditadura do governo de então, assim como ocorria no Brasil.

Baseado em fatos reais, a trama e a evolução dos fatos são mostrados aos olhos de um menino de 12 anos.

Juan é filho de pais ativistas contra o governo. Logo no início, Juan volta do exílio no Brasil para conviver com seus pais na periferia de Buenos Aires, e para isso, passa a adotar o nome falso de Ernesto, em homenagem a Che Guevara.

O Curioso do filme é que o tema principal é sobre o amor. Amor do menino pelos pais e pelo seu Tio Beto, pois Juan abre mão de sua verdadeira identidade para poder viver com sua família; e pelo seu primeiro amor: Maria, uma colega de classe que também se apaixona por “Ernesto” e vivem momentos de pureza pueril.

Apesar das histórias de amor, o filme mostra com clareza o ambiente de repressão e de violência daqueles dias de ditadura.

“Erneto” testemunha o cotidiano dos ativistas, suas reuniões, os treinamentos, etc.

O protagonista perde o tio e depois o pai, e sua mãe se torna desaparecida e por conta disso, os militares deixam Juan aos cuidados da avó materna, que sempre foi contra o radicalismo da filha e do genro, que colocavam em risco a vida de todos e principalmente do neto.

O diretor opta por não mostrar a violência crua ou explícita da ditadura, mas mesmo assim consegue expor o horror do sistema.

É um filme muito interessante, porque, apesar da crueldade daquele momento da história, o sentimento de amor sobreviveu.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

20 ANOS - PERES E AUN ADVOGADOS ASSOCIADOS


Neste ano de 2012, o escritório PERES E AUN ADVOGADOS ASSOCIADOS completou vinte anos de trajetória e fazendo história.

Um acaso fez o destino, quando dois jovens tiveram a oportunidade de se conhecer no final do ano de 1990.

Os sócios fundadores, eu (José Orivaldo Peres Jr.) e Sérgio Elias Aun, trabalhamos juntos por alguns meses num escritório de advocacia na cidade de São Manuel, pois, estava me desligando daquela banca, mas Sérgio começara um novo desafio.

Mantivemos contato em virtude da longa ligação que eu tinha com aquele escritório, porém, comecei a advogar sozinho em busca de novas oportunidades.

Em menos de um ano, Sérgio também se desligou daquele escritório para assumir o cargo de Procurador do Município de Botucatu e também a Assessoria Jurídica da ACIB – Associação Comercial e Industrial de Botucatu.

Mesmo assim, começamos uma parceria que rapidamente fluiu para uma sociedade.

O inevitável ocorreu em 04 maio de 1992, quando esses “dois jovens advogados” inauguraram o escritório PERES E AUN ADVOGADOS ASSOCIADOS, na Rua General Telles, n. 1.107, no centro da cidade, de fronte ao monumental Forum da cidade, projetado por Ramos de Azevedo.

Ambos os sócios fundadores tinham a mesma visão: atuar primordialmente em Direito Empresarial, com ênfase no Direito Tributário.

Como na época a legislação começava a se dinamizar, não só pelo crescente aumento da carga tributária, mas também pela globalização e pela introdução da tecnologia, como a  rede mundial de computadores, as empresas passaram a necessitar de uma assessoria jurídica especializada, ou seja, bem mais voltada para seus problemas.

Foi também nessa época que grandes questões tributárias começaram a surgir, como discussões sobre o FINSOCIAL, que foi substituído pela atual COFINS, o PIS, o PRO-LABORE, dentre outros.

Para consagrar nosso trabalho, em maio de 1993, obtivemos uma decisão inédita sobre o tema do Pro-labore, pela então Juíza Federal da 9a.Vara Federal de São Paulo, hoje Desembargadora Federal do TRF 3a. Região, Dra. Vesna Kolmar, que teve repercussão nacional, tanto que o jornal GAZETA MERCANTIL fez matéria sobre o assunto citando expressamente os nomes dos advogados fundadores do PERES E AUN ADVOGADOS ASSOCIADOS.

Depois de alguns dias da publicação da sentença, fui consultar o referido processo para ver a integralidade daquela decisão e o escrevente lhe atendeu disse que o Juiz havia vetado o acesso dado o tumulto de outros advogados para a consulta. Quando me apresentei como advogado do processo, o escrevente sorriu, me deu os parabéns e entregou o processo praticamente despedaçado, pois, dezenas e dezenas de profissionais do Brasil inteiro foram em busca de mais detalhes e de cópias da decisão.

No ano seguinte, ou seja, em meados de 1994, outra decisão, desta vez do SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, teve uma repercussão nacional maior ainda, no campo do Direito Penal.

Mesmo me desligando da Assistência Judiciária, eu ainda tinha poucos processos em andamento. Dentre eles um pequeno furto de camisetas de uma loja popular em São Manuel.

Até hoje lembro daquela pobre mulher, solteira, mãe de três filhos pequenos, da cidade de Dois Córregos, que resolveu tentar furtar roupas de crianças numa casa comercial em S. Manuel, para atender as necessidades de seus filhos.

O nome dela era Marilda Corado, e na sentença condenatória, o Juiz sentenciante, ao reconhecer a periculosidade da pobre mulher, determinou sua imediata prisão.

Quando fui intimado da sentença, rapidamente recorri da decisão, mas a prisão foi mantida. Sensibilizado com a situação comecei uma longa caminhada para tentar livra-la da prisão, através de um Habeas Corpus junto ao Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, que foi negado. Inconformado, fui ao STJ em Brasília, mas a liminar requerida também foi negada. Porém, quando do julgamento definitivo, o Ministro Edson Vidigal proferiu uma decisão demonstrando total indignação com aquela prisão e comparou a periculosidade de Marilda Corado com os nossos políticos.

Essa decisão bombástica redeu reportagens e entrevistas dadas por mim nas TVs Globo e Bandeirantes, Jornal O Estado de São Paulo (que no dia seguinte fez um editorial sobre o assunto), Jornal do Brasil do Rio de Janeiro, Correio Brasiliense e diversos jornais regionais.

Em 1997, uma questão tributária sobre o enquadramento do regime do SIMPLES de empresas da construção civil, rendeu repercussão nacional através do Jornal da Tarde e no DCI, que foi o primeiro sobre o tema.

Uma outra decisão inédita, bem mais recente, em fevereiro de 2009, foi proferida pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo. Dizia respeito ao primeiro Mandado de Injunção sobre o tema da aposentaria especial dos funcionários públicos estaduais. Após eu sustentar oralmente na sessão de julgamento, o pedido foi aceito pelos Desembargadores, por 15 votos a 03.

O escritório necessitava ampliar sua estrutura e em 10 de dezembro de 1995, a sede foi transferida para a Avenida Dom Lúcio, 196, em Botucatu, onde está instalada até hoje.

Temos muito a fazer pelo Direito e pela Justiça, sem olvidar de nossa responsabilidade constitucional, qual seja: colaborar eficazmente com a administração da Justiça.

Quero agradecer, em nome do escritório PERES E AUN ADVOGADOS ASSOCIADOS a toda nossa equipe de profissionais, estagiários, funcionários e parceiros, que também são nossos amigos, inclusive aqueles que já passaram pela “nossa casa”, pois, sem eles, nada teria acontecido.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

1911 - A FAMÍLIA PEREZ DE TERQUE, NA ANDALUZIA, PARA AO BRASIL

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Entre o final do século 19 e o começo do século 20, milhares de europeus deixavam seus países rumo ao “novo continente” para fugir das guerras, das repressões políticas e principalmente, pelos graves problemas econômicos que a Europa sofria.

Centenas de milhares de famílias chegavam ao Brasil, na sua maior parte, pelo Porto de Santos. Ao desembarcarem, os imigrantes eram encaminhados para uma hospedaria, um imponente complexo construído em 1886, que funcionou até 1978 para receber estrangeiros. Na parte antiga desse complexoatualmente, está o excelente Museu do Imigrante, no bairro da Mooca, em São Paulo, que vale a pena conhecer.

Uma curiosidade: até hoje a hospedaria funciona na parte de traz do Museu como albergue noturno para “moradores de rua” e a partir da 16 horas,  as pessoas começam a chegar para pegar um lugar para dormir. É o único museu no mundo com essas características.

Nesse albergue, os estrangeiros ficavam hospedados por alguns dias onde eram registrados em livros, como podemos verificar na digitalização abaixo, inclusive, para fins sanitários.

De lá, as famílias eram encaminhadas para o interior, especialmente para as fazendas de café para trabalhar na lavoura, a fim de recomeçar a vida, pois, na Europa, a situação econômica e a falta de empregos era dramática.

Esse destino não foi diferente para a família PÉREZ, de Terque, na região da Andaluizia, Espanha.

De fato, a imigração de europeus espanhóis ocorreu em grande escala e mesmo com todas as adversidades, essas pessoas mostraram força e determinação, como tantos outros imigrantes. E, como veremos, foram vencedores.

Deixando para trás tudo o que tinham na Espanha, inclusive uma pequena propriedade rural onde trabalhavam no cultivo de frutas e oliveiras, meu bisavô Francisco Pérez Alcaraz (44 anos) e os demais membros da família: Maria Rudulpho Sanchez (minha bisavó – 40 anos), além dos filhos, Onofre Pérez Rudulpho (19 anos), Maria Pérez Rudulpho (17 anos), Francisco Pérez Rudulpho (meu avô – 13 anos), Luiz Pérez Rudulpho (07 anos), gêmeo de Carmem Pérez Rudulpho (07 anos), Francisca Pérez Rudulpho (06 anos), Bonifácio Pérez Rudulpho (02 anos) e o sobrinho Antonio Rodrigues Herrada (29 anos e solteiro), partiram do porto de Almeria em 09.11.1911.

Meu avô, por ter o primeiro nome de Francisco, recebeu a alcunha de PACO. Por sua vez, meu pai era conhecido como Zé do Paco, e ainda hoje, meus amigos mais próximos me chamam de Paco ou Paquinho.

Cabe aqui uma explicação sobre a origem do apelido “Paco”. É que na idade média os copistas de livros, para ganhar tempo, escreviam os textos com símbolos e palavras com abreviaturas. Portanto, o nome espanhol Francisco, também grafado de Phrancisco, era abreviado por Phco ou Pco, e depois, Paco, como conhecemos nos dias atuais.

Certa vez, vô Paco me contou que lembrava muito bem do dia em que partiram da Europa. Era novembro do ano de 1911, a Família PÉREZ, no meio da multidão, se agarravam uns aos outros para não se perderem no caminho do navio  de nome CAVOUR, que levaria a todos para uma terra tão longínqua e desconhecida.

Vô Paco descreveu a partida com um tom de saudosismo, quando então, aos 13 anos de idade, ficou na popa do navio observando a embarcação se afastar do continente até que num dado momento não era possível enxergar mais nada.

Posso imaginar como aquela família vivenciou aqueles momentos: medo, esperança, espectativa, sonhos e etc.

A partir daí, as dificuldades estavam apenas começando. O navio, com excesso de passageiros, não só provocava muito desconforto, mas também, as doenças com as quais os passageiros tinham de conviver.

Alguns desses passageiros morreram durante os 16 dias de viagem e obviamente não puderam ser dignamente enterrados.

Felizmente, o grupo familiar dos PÉREZ chegou ao destino a salvo em 25 de novembro de 1911, no Porto de Santos.

Depois de passar pela hospedaria, os imigrantes espanhóis seguiram para o interior do Estado de São Paulo.

A família foi direto para São Manuel-SP, na Fazenda Santa Margarida, uma das principais do município, que contava com 90 mil pés de café de 30 anos de idade, local onde conheceu minha avó DOLORES PÉREZ GAMBERO (sobrenome PÉREZ homônimo), natural de Málaga, também da Espanha.

Casaram-se em 22.04.1922 e tiveram 07 filhos: DOLORES PERES NOVELI (tia Nena, foi casada com Alberto Novelli); MIGUEL PERES (Tio Ito, escrivão de polícia, de quem eu ganhei um livro sobre Inquérito Policial e que guardo até hoje em minha biblioteca, foi casado com Maria  Valmira Francisco Peres), ANTONIO PERES PERES (tio Toninho, bacharel em direito e professor, foi casado com Elisabeth Quadros Barros Peres); LUIZ PERES (Tio Zinho, farmacêutico, foi casado com Helenice Aparecida Verniano Peres); MARIA PERES GIANESCHI (professora, foi casada com Jarbas Gianeschi) e MARLENE PERES MARTINS (professora, foi casada com Edwal de Souza Martins); e JOSÉ ORIVALDO PERES (o Zé do Paco, meu pai, advogado, foi casado com Ana Maria Gomes Pupo).

Ainda jovem, vô Paco mostrando inesgotável força de vontade e determinação de vencer, tinha aulas noturnas diárias de português e de contabilidade, mais precisamente, um antigo sistema contábil denominado Método das Partidas Dobradas (método contábil criado na idade média por um frei veneziano, universalmente utilizado pela contabilidade, cujo princípio fundamental é de que para cada débito – ativo – corresponde a um crédito – débito – de igual valor), sob a luz de um lampião.

A professora da fazenda, cujo nome desconheço, se dispôs a dar essas aulas particulares de noite para meu avô, sensibilizada pela incomum força de vontade daquele jovem estrangeiro que ainda tinha disposição para aprender, depois de 12 horas de trabalho pesado sob o sol tropical na roça.

Vô Paco tencionava ser um comerciante no futuro, não só para proporcionar uma qualidade de vida melhor à sua família, mas também, porque o trabalho na lavoura de café era estafante e penoso.

Alguns anos mais tarde vô Paco foi trabalhar pela primeira vez na zona urbana, em São Manuel, na Casa Rugai, que era um armazém de secos e molhados. Trabalhou ainda como pedreiro na década de 20 e ajudou a construir um dos mais belos prédios da cidade, hoje tombado. Era o prédio do Banco Comércio e Indústria, onde funciona a Drogaria Popular, na Rua XV de Novembro, bem no centro da cidade.

Depois, foi carroceiro e como a legislação da época exigia, teve de tirar a Carteira de Habilitação para poder transitar na cidade, no ano de 1938.

Por conta de uma úlcera detectada, resolveu mudar de atividade e assim, abriu uma pequena quitanda: a Quitanda do Paco, e mais tarde, o Bar do Paco, na Rua Epitácio Pessoa.

O referido estabelecimento evoluiu para um Armazém de Secos e Molhados que foi tradicional em São Manuel, no quarteirão seguinte do antigo Bar, fixando sua residência aos fundos do imóvel, na Rua Epitácio Pessoa n. 719, no Centro, que atualmente funciona uma loja de Roupas (imóvel adquirido em janeiro de 1941).

Esse armazém funcionou até o final da década de 70 e algumas lembranças são bem vivas para mim. O piso de ladrilho hidráulico colorido; o balcão e as prateleiras de madeira; os grandes sacos de cereais à granel, o baleiro de vidro, além de um dos mais fiéis empregados, o Sr. João Carcanha, contando com seus mais de 80 anos, ainda vivo.

Também chegou a ter um Sítio de nome São Francisco, de 32 alqueires, no Bairro Bela Vista, Município de São Manuel.

Vô Paco, que teve vida longa, faleceu aos 97 anos em 06.03.1995 e vó Dolores faleceu aos 82 anos (15.4.1903 a 13.4.1985).

Meu pai (JOSÉ ORIVALDO PERES), o caçula dos filhos, nasceu em 11.11.1941 e faleceu aos 66 anos em 26.08.2007. Era advogado, mas sua paixão sempre foi a política.

Com a política correndo em suas veias, desde criança foi “ademarista” (ADHEMAR DE BARROS, médico, foi governador do Estado de São Paulo e candidato a presidente da República).

Meu pai chegou a ser sócio de Vô Paco no armazém de secos e molhados e mais tarde foi proprietário de uma Transportadora.

Na década de 60/70 foi por duas vezes vereador municipal de São Manuel, numa época que a vereança não era remunerada.

Na década de 70/80 foi secretário particular do Dr. Adhemar de Barros Filho (Deputado Federal e Secretário de Estado), que também era presidente da fábrica de chocolates Lacta. Por essa razão, meu pai trabalhava a semana toda em São Paulo e residia num apartamento na Rua Aurora.

Nos períodos de campanha eleitoral, papai sempre era destacado para coordenar as campanhas dos candidatos da antiga ARENA na região oeste do Estado.

Neste período, ele recebia quase todas as autoridades e políticos que visitavam a Região e muitas fotos que registraram essas ocasiões estão guardadas com meu irmão Francisco.

Entre as décadas de 80/90, dedicou-se à advocacia. Nos anos 2000, ou seja, a partir de 2002, foi nomeado Diretor Jurídico do Município de São Manuel, até 2006/2007 quando adoeceu e foi obrigado a afastar-se do cargo.

Casou-se com ANA MARIA GOMES PUPO (professora) em 1964 com quem teve quatro filhos: eu, José Orivaldo Peres Júnior; Ana Lúcia Pupo Peres; Luciana Pupo Peres e Francisco Peres Rodolfo Neto.

A história da família PÉREZ é um exemplo de fibra, coragem, força de vontade, perseverança, trabalho e honradez.

Para consagrar tudo isso, os descendentes de espanhóis foram presenteados com a Lei da Memória Histórica do Governo Espanhol, editada em dezembro de 2010, permitindo que netos de espanhóis pudessem requerer, dentro de 02 anos de prazo, a cidadania espanhola.

De fato, muitos membros da família conseguiram o reconhecimento da cidadania espanhola. Talvez eu tenha sido o primeiro neto do clã, com o nome de "JOSÉ ORIVALDO PÉREZ GOMEZ", com a inclusão do sobrenome materno, confome exige a legislação do Estado espanhol. Depois, como filhos naturais, meus queridos João Pedro e Isadora, também obtiveram a certidão de nascimento e o passaporte espanhol em 2011, ou seja, exatos 100 anos depois da chegada de Paco ao Brasil.

Outra coincidência foi a minha idade. Em 1911, quando a família chegou ao Brasil, meu bisavô Francisco Pérez Alcaraz contava com 44 anos. Em 2011, quando obtive a cidadania e o passaporte europeu, também tinha 44 anos.

De qualquer forma, ser cidadão espanhol é uma forma de resgate de nossas origens, o que muito me honra.

Esse é um breve histórico da trajetória da família. Tenho certeza que muitos outros fatos e passagens interessantes aconteceram ao longo desse século que se passou e poderiam ser contados aqui, mas que infelizmente não tenho conhecimento detalhado.

Desse modo, convido aos parentes e amigos que tiverem oportunidade de ler este post, para trazer e comentar outros fatos e informações, a fim de enriquecer nossa história.

Vô Paco e Vó Dolores em 1957.




Família Perez em 1972, nas bodas de ouro de Vô Paco e Vó Dolores.




Peres com seu pai em 1965.




Vó Dolores com Peres no colo em 1965.





Peres com seu pai e seu padrinho de batismo José Antônio di Sanctis.





Vô Paco e Vó Dolores com as noras Valmira, Elisabeth, Ana Maria (mãe de Peres) e Helenice.






Almoço de domingo em 1978 na residência da Rua: Batista Martins, 278 (Peres - pai, Peres, Luciana que está atrás de mim, Francisco e Ana Lúcia).





Time da Associação Atlética Sãomanuelense de 1981 - 3ª Divisão.



Em 1968 pai de Peres tomando posse como vereador.